quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Hoje eu tomei uma das mais difíceis decisões de minha vida. Já vinha elucubrando sobre isso há algum tempo. Decidi que não vou ter mais filho(s).
...
Sempre tive vontade ter ter um terceiro filho. Sempre. Até nome tinha: Bento.
Mas aos 43 anos, eu tenho que entender que meu corpo não é o mesmo e sem falar nas minhas duas pré-eclâmpsias anteriores.
Dói tanto que nem palavras pra desenvolver eu tenho. Vou usar as palavras de OL pra dizer que não queria ter mais filhos: eu mal dou conta de mim e de Gui, como vou ter mais um?
Isso não é o real motivo, mas nunca em minha vida eu percebi a minha ausência como mãe e o quanto isso faz falta pra meu filho. Seria de um egoísmo descabido, há essa altura de minha vida, privar Gui de mim. Justo agora que ele precisa tanto ...
E eu também preciso de mim e de Gui.

Nunca em minha vida eu percebi que ser mãe era tanta entrega. Parece que antes eu era apenas a mãe dos cuidados, a despeito de eu me dar tanto pra ele. A conta chega sempre, não tenha dúvidas disso.
Nunca a expressão de Lacan "agiste segundo seu desejo? pagarás. Agiste contra? Pagarás em dobro" ressoa tanto em meu corpo.
Parece que vai fechando o intervalo e eu tenho que fazer uma escolha forçada: "ei, Lila, acorda! A vida não é só feita de trabalho, prazeres, descanso e netflix. Vc tem um filho que urra por vc".

Parece que após 9 anos eu saquei que só há eu. Um hora eu teria que me dar conta disso. Dei.
Com essa fatura, veio também a decisão de não ter mais filhos, não me encher de hormônios e de colocar o DIU. Tô apaziguada.

Depois de tantas e tantas noites sem dormir por mil e um motivos, parece que a calmaria está voltando e com ela eu vejo que eu e Gui finalmente estamos caminhando lado a lado numa troca muito bonita. Foi justamente com a entrada de um terceiro, FB, que eu pude perceber que somos nós dois. Não há necessidade de um outro filho. Eu já tenho Gui. Ponto.

domingo, 4 de outubro de 2015

Que delícia de música...

Paquetá
Los Hermanos
 

Ah, se eu aguento ouvir
Outro não, quem sabe um talvez
Ou um sim
Eu mereço enfim.

É que eu já sei de cor
Qual o quê dos quais
E poréns, dos afins, pense bem
Ou não pense assim

Eu zanguei numa cisma, eu sei
Tanta birra é pirraça e só
Que essa teima era eu não vi
E hesitei, fiz o pior
Do amor amuleto que eu fiz
Deixei por aí
Descuidei dele, quase larguei
Quis deixar cair

(tsc tsc)

Mas não deixei
Peguei no ar
E hoje eu sei
Sem você sou pá furada.

Ai! não me deixe aqui
O sereno dói
Eu sei, me perdi
Mas ei, só me acho em ti.

Que desfeita, intriga, uó!
Um capricho essa rixa; e mal
Do imbróglio que quiproquó
E disso, bem, fez-se esse nó.

E desse engodo eu vi luzir
De longe o teu farol
Minha ilha perdida é aí
O meu pôr do sol.