segunda-feira, 20 de julho de 2015

Hoje eu tive um dia especialmente difícil com meu filho. Há tempos que nós dois estamos vivendo num embate: ele me responsabiliza pelo pai que eu dei a ele e eu não saio desse lugar de culpa.
Em parte porque também me questiono o porquê desta escolha, mas também por me perguntar o motivo deste filho, que foi fruto do meu amor por este homem, não ocupar um lugar para este pai.

Há muitos anos, eu venho me perguntando o motivo de não me perdoar por ter amado tanto este homem, por ter entrado inteira neste relacionamento. Não me perdoo por ter sido tão burra, tão boboquinha apaixonada. Não me perdoo por ter me dado toda. Não me perdoo por não ter sabido a hora de sair com dignidade. Não me perdoo por ter sido tão passiva. Não me perdoo por não ter visto tudo o que estava posto desde o início.

Tenho gastado horas e horas de divã me lamentando e me culpabilizando por algo que é transparente. Eu amei muito. Eu dei o meu melhor. Eu dei tudo o que eu tinha e não tinha pra este homem. Fato. O que me exaspera é o fato de meu filho, meu melhor, foi o resultado dessa equação.

Hoje à noite, após uma longa e densa conversa com uma amiga que eu amo, pude perceber que é exatamente isso: por que eu não sou grata a mim mesma por ter me permitido amar tanto? Por que eu sofro tanto por ter vivido um relacionamento que também teve muitos momentos maravilhosos? Por que não fico feliz por ter tido a oportunidade de dar o meu melhor ao homem que amava, a despeito de ele ter abusado de minha boa vontade? E o mais importante: por que eu não entendo de uma vez que foi a maneira que me era possível amar e ser amada?

Pois bem. Pela PRIMEIRA VEZ em anos de punição, eu estou realizando que deste amor resultou o meu filho. O meu melhor. O produto desse amor. Por que sofrer tanto em admitir que apesar de tanta dor, nasceu ali uma vida?

Devagar, meu véu vai caindo e eu vou me perdoando por ser tão crédula. Devagar eu vou dando meus passinhos de bebê rumo ao desconhecido. Devagar eu vou aceitando que é preciso vencer o meu medo de amar e dar as mãos a Gui, pra juntos vencermos essa dor.

Se eu vou conseguir me jogar de qualquer altura? Não sei. Vislumbro dias bonitos. Uma coisa eu sei: eu estou certa que agora eu tenho forças pra catar os meus pedaços e pra ajudar meu filho a se erguer. Porque se pra mim que sou adulta, é dificil, pra ele deve ser insuportável.

O que aprendi com isso tudo? vou continuar dando o meu melhor pra todo mundo, independente do que a pessoa faça com isso.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Depois de um longo jejum, olha eu aqui novamente. Minha vida atual é um reflexo do meu desejo: estou muito tranquila e realizada.

As coisas vem acontecendo de uma maneira tão equilibrada que às vezes me assusto com o poder do meu desejo. Sou fã de listas. Quem me conhece sabe que eu faço listas inclusive de realizações (oi?). O melhor de se fazer listas é o desejo que você emprega nas ações ali descritas.

Outra coisa que quem me conhece bem, sabe. Eu sou extremamente punitiva comigo mesma. Me imponho metas inatingíveis e quando não as cumpro, tenho outra lista com as respectivas punições. Aliás, eu ERA punitiva comigo mesma. Até neste ponto, eu estou mais relax, mais feliz com as minhas poucas realizações. Eu posso dizer que eu estou uma pessoa feliz.

Esses últimos meses, eu tive tempo suficiente pra pensar em minha vida e tomar algumas decisões que foram imprescindíveis pra o meu momento atual. É como se eu finalmente soubesse quem eu sou, porque estou aqui e qual a finalidade de construir o caminho que estou vivendo.

Para a psicanálise, este momento é o que a gente chama de saber que se é castrada, que não pode tudo e inconscientemente assumir suas dificuldades, falhas e inseguranças. Nunca em minha vida estive tão forte e tão fragilizada como agora. Tão humana. Tão certa de meu lugar no mundo. Tão contente com os meus passos trôpegos dados até aqui.

Não tô fazendo nada de grandioso, nada de muito útil, nada que possa ser considerado louvável, mas eu estou sendo a pessoa que eu quero ser neste momento. Claro que não sem dificuldades no trabalho, nas relações interpessoais, com Gui, com os estudos, com minha responsabilidade em ter permitido viver por mais de dez anos um relacionamento amoroso abusivo em todos os pontos falando, por não dedicar tempo a algumas coisas que necessitam... Enfim, minhas falhas.

Para finalizar, finalmente conheci um homem que eu nunca achei que existiria. Sabe aquela pessoa que você espera, deseja, mas pensa que não existe? Ele me encontrou. ELE. Porque eu já tinha desistido. Não achava que seria merecedora de ser tratada com tanta dignidade, com tanto cuidado, com tanto respeito.

Você passa anos de sua vida sendo tratada com menos valia, que quando finalmente é tratada de uma maneira digna, nem acredita que é com você.

É a vida me mostrando que a mola que move o mundo é o desejo.