sábado, 12 de dezembro de 2015

Eu fico perplexa com a capacidade que eu tenho de escancarar meus sentimentos aqui neste blog. Imagino que seja pelo fato de eu ser uma anônima e como tal, vivo situações comuns a todas as mulheres.
Ultimamente eu ando morrrta de ciúmes de meu namorado. Nunca fui muito ciumenta, mas ele mobiliza em mim alguma coisa que me deixa bastante insegura. Não consegui ainda identificar o que é, mas presumo que é o fato de ele ter  tido uma vida sexual muito mais ativa do que eu, de ter tido a oportunidade de vivenciar muitas experiências que eu sequer consigo chegar perto. Afinal, ele é um homem do mar e um homem do mar tem muitas possibilidades. Sem falar das mil oportunidades que a carreira dele oferece de mudança pra outros locais.
Sempre fui uma mulher que atrai cafajestes, homens galinhas e isso sempre me deixou insegura, mas nenhum destes meus ex tiveram a oportunidade de conhecer tanta mulher, além do que eu via o medo de me perder nos olhos destes homens. Pra esse, eu me sinto como se eu fosse a mulher da vez.
Eu pensei e decidi deixar isso tudo pra lá e viver um dia de cada vez. Se hoje eu estou feliz, isso é o que importa. Se amanhã, ele quiser navegar por outros mares, eu já conheço o fundo do meu poço e sei que posso sair de lá.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Atualmente estou seguindo a série The Blacklist e o que mais me impressiona na série é o amor que Raymond ~Red~ Reddington tem pela filha, a agente Elizabeth Keen.
É óbvio que se trata de um amor culpado, por não ter tido tempo ou mesmo não ter podido se dedicar a ela como gostaria, mas de longe é a expressão de amor na telinha que mais me marcou nos últimos tempos. A garota sequer saca que é tão amada e muito menos que se trata de seu pai, mas nós expectadores somos brindados com cenas belíssimas de uma dedicação de amor que beira a irrealidade.
 O que me leva a pensar: será que eu serei amada assim algum dia? Será que Gui se sentirá amado assim algum dia?
Toda realidade é realidade psíquica, mesmo assim eu me pergunto muitas vezes se o amor que eu julgava sentir de meu pai era real ou era imaginado. Eu me via nos olhos dele, eu me sentia amada, protegida, querida e desejada como filha. Fora isso, meu pai não era nada do que se poderia chamar de amoroso e de bom pai. Mas eu me sentia assim. Será que isso basta? E vou mais: na época, eu achava que isso era o natural. Hoje adulta, com olhos atravessados pela psicanálise, eu vejo que era amada e muito. Vejo como isso faz diferença na vida de um sujeito. Como é se ver no olho do outro, como é se ver sendo amado por outro e digo que fui amada e muito.
A pergunta agora é: será que algum dia eu serei amada por um homem como fui amada pelo meu pai?

Eu fui muito amada. tanto que dói lembrar. Mas ficou no passado. No presente, eu não estou sendo amada como eu gostaria. Mas, e no futuro?

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Hoje eu tomei uma das mais difíceis decisões de minha vida. Já vinha elucubrando sobre isso há algum tempo. Decidi que não vou ter mais filho(s).
...
Sempre tive vontade ter ter um terceiro filho. Sempre. Até nome tinha: Bento.
Mas aos 43 anos, eu tenho que entender que meu corpo não é o mesmo e sem falar nas minhas duas pré-eclâmpsias anteriores.
Dói tanto que nem palavras pra desenvolver eu tenho. Vou usar as palavras de OL pra dizer que não queria ter mais filhos: eu mal dou conta de mim e de Gui, como vou ter mais um?
Isso não é o real motivo, mas nunca em minha vida eu percebi a minha ausência como mãe e o quanto isso faz falta pra meu filho. Seria de um egoísmo descabido, há essa altura de minha vida, privar Gui de mim. Justo agora que ele precisa tanto ...
E eu também preciso de mim e de Gui.

Nunca em minha vida eu percebi que ser mãe era tanta entrega. Parece que antes eu era apenas a mãe dos cuidados, a despeito de eu me dar tanto pra ele. A conta chega sempre, não tenha dúvidas disso.
Nunca a expressão de Lacan "agiste segundo seu desejo? pagarás. Agiste contra? Pagarás em dobro" ressoa tanto em meu corpo.
Parece que vai fechando o intervalo e eu tenho que fazer uma escolha forçada: "ei, Lila, acorda! A vida não é só feita de trabalho, prazeres, descanso e netflix. Vc tem um filho que urra por vc".

Parece que após 9 anos eu saquei que só há eu. Um hora eu teria que me dar conta disso. Dei.
Com essa fatura, veio também a decisão de não ter mais filhos, não me encher de hormônios e de colocar o DIU. Tô apaziguada.

Depois de tantas e tantas noites sem dormir por mil e um motivos, parece que a calmaria está voltando e com ela eu vejo que eu e Gui finalmente estamos caminhando lado a lado numa troca muito bonita. Foi justamente com a entrada de um terceiro, FB, que eu pude perceber que somos nós dois. Não há necessidade de um outro filho. Eu já tenho Gui. Ponto.

domingo, 4 de outubro de 2015

Que delícia de música...

Paquetá
Los Hermanos
 

Ah, se eu aguento ouvir
Outro não, quem sabe um talvez
Ou um sim
Eu mereço enfim.

É que eu já sei de cor
Qual o quê dos quais
E poréns, dos afins, pense bem
Ou não pense assim

Eu zanguei numa cisma, eu sei
Tanta birra é pirraça e só
Que essa teima era eu não vi
E hesitei, fiz o pior
Do amor amuleto que eu fiz
Deixei por aí
Descuidei dele, quase larguei
Quis deixar cair

(tsc tsc)

Mas não deixei
Peguei no ar
E hoje eu sei
Sem você sou pá furada.

Ai! não me deixe aqui
O sereno dói
Eu sei, me perdi
Mas ei, só me acho em ti.

Que desfeita, intriga, uó!
Um capricho essa rixa; e mal
Do imbróglio que quiproquó
E disso, bem, fez-se esse nó.

E desse engodo eu vi luzir
De longe o teu farol
Minha ilha perdida é aí
O meu pôr do sol.

domingo, 27 de setembro de 2015

Ultimamente tenho me perguntado sobre o amor. Hahahahahahaha. Há anos que essa pergunta não sai da minha cabeça. Mas é que eu estou em um affair e isto ganha um peso maior.
Não tô amando, nem sei se estou apaixonada. Tô me envolvendo. Mas comparado com meu modo de me envolver, está muito morno. E isso me angustia a ponto de eu ter dúvidas.
Dúvidas do tipo: é melhor estar numa relação ou sozinha? Vale a pena ficar com alguém de uma maneira não apaixonada?
Tá. eu sei que o organismo humano não suporta viver de paixão durante muito tempo porque ele entra em falência. Eu mesma fui apaixonada anos a fio pelo meu ex e sei como é complicado viver nessa urgência eterna. Principalmente aos 42 anos, quase 43.
Mas, Lila, não está bom viver um relacionamento com uma pessoa especial, encantadora, legal, que compactua dos mesmos gostos, apesar de ver a vida de uma maneira mais conservadora, que gosta de viajar, de ver filmes, de ver séries, de ficar colado, de fazer tudo junto? Ele é tão fofo que fez amizade com meu filho, meus pets e até com os bichos da rua (!!!).
Tem um ponto que me incomoda num cara 11 anos mais novo: tem energia muito menor que a minha, inclusive a sexual.
Sei que isso não é motivo pra não estar inteira numa relação e por isso me pergunto: porque vc não se contenta com o que desejou e vive um relacionamento leve do jeito que ele se mostra?
Segundo minha analista, eu estou com a faca e o queijo nas mãos. Por que será que eu não estou tão certa disso? Por que eu não me entrego ao que está aí e paralelamente eu vou tocando a minha vida? Eu não pretendia me envolver mais mesmo.
Como em tudo na vida, estou no lucro e quero mais. Isso é f*.
Nunca estar satisfeita com o que tem me deixa frustrada. Histeria, seu nome é Lila.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Este final de semana eu fui pra Feira de Santana pra casa de minha família. Pra roça. Pra o meu lugar ever no mundo.
Quando eu tô saindo da Bonocô e vou pegando o acesso pra BR 324, alguma coisa muito especial já começa a revigorar dentro de mim. É um dos momentos mais feliz de minha vida: pegar a estrada pra minha casa.
Ir pra casa após algum tempo é um bônus muito especial. Um presente bom. Já tem um tempo que eu tô no lucro na vida. Qualquer coisa que me acontecer é lucro. Tem muito tempo que eu parei de criar expectativa com as coisas, que eu parei de ver o mundo com tanta pureza. Mas a despeito de tudo isso, eu estou sempre me surpreendendo. Parece que eu ganhei novos olhos.
Eu tive um pequeno desentendimento com minha irmã e o meu cunhado e estava ~morrendo de medo~ de reencontrá-los e de ter meio que desintegrado aquilo que se constrói numa vida. Pra minha grata surpresa, eu cheguei e foi como em todas as vezes: fui muito bem recebida e amada por todos.
Como é bom vc se saber amada, saber que pode correr pra os braços seguros de quem te ama, saber que não precisa palavras pra ser compreendida e olhar nos olhos do outro e ver o amor refletido neles.
Como não se sentir amada e acolhida quando vc sai com seu cunhado pra feira livre e depois de tanto desentendimento, vc perceber que ainda pode contar com ele, que vc ainda tem um lugar cativo no coração dele e juntos fazerem coisas de irmãos, como procurar um parafuso e conversar coisas da vida, coisas que se conversa com quem se ama?
Eu realmente não poderia estar em melhor momento. Parece que eu consegui enfim entender que de nada adianta ficar lutando contra as coisas. Elas simplesmente acontecem.
Besta é quem não aceita o que vem de bom grado do universo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Meus últimos dias têm sido uma sucessão de desacertos financeiros. Um atrás do outro. Trabalho no Judiciário Federal. Minha categoria está em greve desde o início de junho por conta de um reajuste salarial. Tem 9 anos que não temos aumento e nem houve reposição das perdas causadas pela inflação.
Bem, nem quero falar como a mídia vem falando desta questão pra eu não me exasperar...
Perdemos algumas ações, perdemos o auxílio-saúde, vou ter que pagar o plano de saúde meu e de Gui... resultado? -R$2.300 brutos do meu salário.
Como assim?
Como vc vai fazer pra encaixar suas despesas neste orçamento apertado? Não si.
Já me deseperei, já chorei, já ajustei minhas contas.... Uma coisa eu aprendi: realmente, são nas crises que surgem novas oportunidades.
Novas coisas estão surgindo no horizonte. Sonhos adormecidos. Projetos engavetados. Planos que foram ficando pelo caminho.
Pelo que eu tô percebendo, estou com um pique novo.

Aproveitei pra dar uma avaliada geral em minha vida: quero continuar estudando psicanálise? Isso me faz feliz? Sim. Eu quero continuar. Vou ser psicanalista? Não sei. Nem tô a fim de pensar nisso agora.
Preciso fazer outra pós. Uma pós que realmente me sirva. Vou fazer uma em Direito Empresarial EAD.
Quero ter mais qualidade de vida. Ainda não sei como vou aliar criação de filho, trabalho, estudo, projeto, vida pessoal e um novo relacionamento (sim, estou interessada em um boy!).
Quero ter mais tempo pra minhas coisas que amo: ler meus livros, ver meus filmes, ler sobre política, giros pela internet, sair com Gui, namorar, amigos, família....

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Hoje eu tive um dia especialmente difícil com meu filho. Há tempos que nós dois estamos vivendo num embate: ele me responsabiliza pelo pai que eu dei a ele e eu não saio desse lugar de culpa.
Em parte porque também me questiono o porquê desta escolha, mas também por me perguntar o motivo deste filho, que foi fruto do meu amor por este homem, não ocupar um lugar para este pai.

Há muitos anos, eu venho me perguntando o motivo de não me perdoar por ter amado tanto este homem, por ter entrado inteira neste relacionamento. Não me perdoo por ter sido tão burra, tão boboquinha apaixonada. Não me perdoo por ter me dado toda. Não me perdoo por não ter sabido a hora de sair com dignidade. Não me perdoo por ter sido tão passiva. Não me perdoo por não ter visto tudo o que estava posto desde o início.

Tenho gastado horas e horas de divã me lamentando e me culpabilizando por algo que é transparente. Eu amei muito. Eu dei o meu melhor. Eu dei tudo o que eu tinha e não tinha pra este homem. Fato. O que me exaspera é o fato de meu filho, meu melhor, foi o resultado dessa equação.

Hoje à noite, após uma longa e densa conversa com uma amiga que eu amo, pude perceber que é exatamente isso: por que eu não sou grata a mim mesma por ter me permitido amar tanto? Por que eu sofro tanto por ter vivido um relacionamento que também teve muitos momentos maravilhosos? Por que não fico feliz por ter tido a oportunidade de dar o meu melhor ao homem que amava, a despeito de ele ter abusado de minha boa vontade? E o mais importante: por que eu não entendo de uma vez que foi a maneira que me era possível amar e ser amada?

Pois bem. Pela PRIMEIRA VEZ em anos de punição, eu estou realizando que deste amor resultou o meu filho. O meu melhor. O produto desse amor. Por que sofrer tanto em admitir que apesar de tanta dor, nasceu ali uma vida?

Devagar, meu véu vai caindo e eu vou me perdoando por ser tão crédula. Devagar eu vou dando meus passinhos de bebê rumo ao desconhecido. Devagar eu vou aceitando que é preciso vencer o meu medo de amar e dar as mãos a Gui, pra juntos vencermos essa dor.

Se eu vou conseguir me jogar de qualquer altura? Não sei. Vislumbro dias bonitos. Uma coisa eu sei: eu estou certa que agora eu tenho forças pra catar os meus pedaços e pra ajudar meu filho a se erguer. Porque se pra mim que sou adulta, é dificil, pra ele deve ser insuportável.

O que aprendi com isso tudo? vou continuar dando o meu melhor pra todo mundo, independente do que a pessoa faça com isso.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Depois de um longo jejum, olha eu aqui novamente. Minha vida atual é um reflexo do meu desejo: estou muito tranquila e realizada.

As coisas vem acontecendo de uma maneira tão equilibrada que às vezes me assusto com o poder do meu desejo. Sou fã de listas. Quem me conhece sabe que eu faço listas inclusive de realizações (oi?). O melhor de se fazer listas é o desejo que você emprega nas ações ali descritas.

Outra coisa que quem me conhece bem, sabe. Eu sou extremamente punitiva comigo mesma. Me imponho metas inatingíveis e quando não as cumpro, tenho outra lista com as respectivas punições. Aliás, eu ERA punitiva comigo mesma. Até neste ponto, eu estou mais relax, mais feliz com as minhas poucas realizações. Eu posso dizer que eu estou uma pessoa feliz.

Esses últimos meses, eu tive tempo suficiente pra pensar em minha vida e tomar algumas decisões que foram imprescindíveis pra o meu momento atual. É como se eu finalmente soubesse quem eu sou, porque estou aqui e qual a finalidade de construir o caminho que estou vivendo.

Para a psicanálise, este momento é o que a gente chama de saber que se é castrada, que não pode tudo e inconscientemente assumir suas dificuldades, falhas e inseguranças. Nunca em minha vida estive tão forte e tão fragilizada como agora. Tão humana. Tão certa de meu lugar no mundo. Tão contente com os meus passos trôpegos dados até aqui.

Não tô fazendo nada de grandioso, nada de muito útil, nada que possa ser considerado louvável, mas eu estou sendo a pessoa que eu quero ser neste momento. Claro que não sem dificuldades no trabalho, nas relações interpessoais, com Gui, com os estudos, com minha responsabilidade em ter permitido viver por mais de dez anos um relacionamento amoroso abusivo em todos os pontos falando, por não dedicar tempo a algumas coisas que necessitam... Enfim, minhas falhas.

Para finalizar, finalmente conheci um homem que eu nunca achei que existiria. Sabe aquela pessoa que você espera, deseja, mas pensa que não existe? Ele me encontrou. ELE. Porque eu já tinha desistido. Não achava que seria merecedora de ser tratada com tanta dignidade, com tanto cuidado, com tanto respeito.

Você passa anos de sua vida sendo tratada com menos valia, que quando finalmente é tratada de uma maneira digna, nem acredita que é com você.

É a vida me mostrando que a mola que move o mundo é o desejo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Uma coisa tem pairado sobre meus pensamentos ultimamente: eu gosto de quem eu sou enquanto estou fazendo o que estou fazendo? 

....


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Passei esses últimos tempos na esbórnia total: saindo muito, bebendo muito, fumando muito.

Depois da minha cirurgia, eu fiquei muito pensativa e literalmente vi a minha vitalidade escorrendo pelos meus dedos. uma sensação de incompletude enorme. Passei muitas sessões de análise chorando pelo leite derramado: saía de terça a sábado, domingo tava podre de cansada e com uma ressaca moral da porra e segunda, chorava minhas pitangas dizendo que não se repetiria, que não beberia, não fumaria, que iria estudar, etc etc, etc.

Depois de muito escorregar na gamela, percebi que estava precisando de um tempo pra mim. Tempo pra não fazer nada. passei minha vida inteira correndo de um objetivo a outro, sem muito tempo pra respirar, pra curtir minhas conquistas.

Sei que é piegas, mas foi preciso entornar o caldo, ver a morte de perto e chegar no meu fundo do poço pra perceber que o que eu realmente quero é muito simples: quero um tempo pra mim. Um tempo pra curtir minhas conquistas, que não são poucas.

Quero ir pra o trabalho, que por sinal estou amando como nunca, chegar em casa ficar de bobeira com meu filho e dormir. Dormir sem hora pra acordar.

E se quiser sair, ler, ver um filme, ficar de pernas pra o ar, etc, não me culpar por não estar fazendo nada. Por que na verdade, eu estou  fazendo o que é mais importante: estou fazendo o que gosto e preciso.

Tô muito, muito, muito, muito tranquila. Como há muito tempo não estive.

Fim. Vou ali curtir um Carnaval maravilhoso que rola em minha cidade: Salvador.