sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Esses útimos dias um turbilhão passou pela minha cabeça: uma amiga teve a maior briga com o marido, com direito a colocar roupas na mala e tudo porque ele trocava email com uma "suposta" (por nós duas) piriguete. Ele falou, chorou, esperneou e enfim se desculpou e fizaram as pazes. Eu entendi o lado dela. Ela falou que é uma mulher 110% pra ele e não quer menos da parte dele e provavelmente pela hora das trocas de email, ela estava em casa tirando roupa da máquina, estendendo no varal e ao mesmo tempo, preparando o jantar da família. Depois ela reconheceu que foi um gospe ousado demais e que ela teve medo de estar jogando tudo para o alto, mas "Lila, se nós vacilarmos, eles aprontam mesmo". É verdade.
Essa crise no casamento de minha amiga me fez perceber que eu espero receber tão pouco do outro. E fiquei péssima. Quantas e quantas vezes meu ex me dava pistas que era um homem sacana, que me traía e eu via (agora sei que via, mas tinha medo de saber e ter que tomar uma posição). Quantas vezes eu recebi tão menos do que eu doava.
Fico me perguntando onde estava o meu amor próprio.
Por que me contento com migalhas de amor e de atenção? Por que o medo de enfrentar a realidade, tomar uma posição e ver no que vai dar? Por que ficar em uma realação que já começa fadada a dar errado? Por que ficar com um homem que não me dar o melhor e o que eu mereço?
Sinceramente? Não tenho a resposta. (Mentira, Lila. Você tem!!!) Tenho. Tenho, mas morro de medo de admitir, pois é tão feio se colocar pra baixo só pra não ficar sozinha, pra se sentir amada, pra fazer planos.
O resultado disso tudo? Eu sozinha com meu(s) filho(s), meus pets, minhas contas e uma porção de cacos espalhados pelo chão esperando pra eu catar e a coragem não vem. Dois anos e quatro meses depois.
Medo de conhecer outra pessoa e novamente me deixar atrair por homens que não me valorizam e que não percebem o que eu tenho de melhor. Medo que entrar na dança e sair machucada e literalmente pobre. Sim, porque além do coração, outra parte de mim que sangra é o meu bolso. Tenho radar para atrair fucked men.
Medo, medo, medo.
Mas, algumas coisas eu já consigo fazer e antes eu não me dava conta:
(i) Preciso mesmo ficar com carinhas que no outro dia passam por mim e não falam? Qdo digo ficar, é ficar nos amassos apenas. Se rolasse sexo, então... não é bom nem pensar em meu índice de decepção rejeição;
(ii) Preciso mesmo me relacionar com alguém com esse turbilhão dentro de mim?
(iii) Eu mereço mais do que eu vinha recebendo;
(iv) No mínimo, preciso lembrar que Gui, meu filho e a única pessoa que realmente importa, me ama DO JEITO QUE EU SOU. E posso apostar que esse amor é genuíno, puro e é nele que eu tenho que me agarrar.

Vou revelar algo de muito íntimo e muito mais do que eu já escancaro aqui, mas eu decidi entrar esse ano com mais amor mesmo, amor por mim, pelas pessoas de um modo geral e procurar perdoar as muitas vezes que errei em minhas escolhas. Amar de coração. Principalmente a mim e ao meu corpo, cada centrimetro dele e de suas faltas. Amar o que eu sei que eu não vou ter. Amar o que eu sei que tenho. Amar a mim como Gui me ama.
Não sei se será possível, pois há uns 10 anos decidi ser o mais miseravona possível, mas percebi que não tenho talento pra ser eficiente em ser má e ficava parecendo uma paspalha. Não consegui. Agora eu quero ser o melhor possível e toda a pieguisse que isso represente. Pronto, falei.
Por fim, por que os homens fazem os filhos e não dão NADA pra ajudar na sobrevivência da cria? Será que isso é manutenção da espécie? Por que eu tenho que arcar com todas as contas da casa? E meus projetos pessoais vão ficar apenas nas minhas planilhas?
Tô chatona hoje. E repensando as minhas escolhas.

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