terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Meu Natal foi excelente. Passei em Feira de Santana com as pessoas que mais amo nesta vida: meu filho e minhas mulheres (mãe, irmãs e sobrinhas). Foram 7 dias maravilhosos de muita esbórnia: muita TV, muita net, muito sono, muita comida e muita conversa boa com minhas melhores amigas: Nite, Léa e Déa.
Meu cunhado foi perfeito: cuidou muito bem de meu filhote, tivemos conversas ótimas e lavou meu carro.
Dentre as conversas, a melhor foi com minha irmã sobre família e como ela estava insatisfeita com algumas coisas. Eu ponderei uma coisa que pensei muito e elaborei após longos anos de análise: amo minha família exatamente do jeito (imperfeito) que ela é. 
Eu lembro que durante muitos anos eu morria de vontade de ter outro pai e outra mãe. Era muito custoso ver os pais imaturos e despreparados pra vida, queria saber como me mover e não sabia com quem contar. Lembro de um fato particular: eu voltava da matrícula da faculdade (engenharia civil) e pensava "eu cheguei mais longe que meus pais. Como eu consegui chegar até aqui tão à toa?". O que mais me incomodava era o fato de viver à toa mesmo: sem ninguém pra me dar diretrizes nem cobrar nada de mim. Eu ia fazendo as coisas por fazer, por ver meus colegas fazendo, por participar do modelo pré-fabricado de vida da classe média que eu nem pertencia, mas que frequentava desde que eu me conheço por gente.
Durante muitos anos, minha única vontade era sobreviver a isso tudo, mas com minha análise pessoal eu fui tomando um ódio a tudo o que eu vivi sem questionar e aos meus pais que eu julgava inúteis pra coisas da vida. A única coisa que eles eram bom era em sobreviver. Só hoje eu vejo a importância deles em minha vida e como eu cresci e cheguei longe justamente por eles serem tão imaturos. Minha mãe ainda é uma criança e vai morrer assim. Sorte a dela, pois nada pior do que acordar e não ter minhguém do lado.
Eu tô começando a colocar os meus pés num ponto seguro agora após longos anos vagando e pulando de um galho no outro tentando me sustentar em alguma coisa que fizesse sentido.
Agora eu consigo olhar pra o lado e identificar quem eu sou e onde eu estou. Olhando em volta eu vejo que não foi em vão ter uma família tão desarticulada e fico feliz e triste de ver que minha irmãzinha que eu tanto fiz pra proteger está acordando e não tem em que se apoiar. Provavelmente ela não lerá isso (ela de-tes-ta textos longos e já me disse que nunca lê).
Pena que a única coisa que eu posso dar pra ela não serve pra nada neste momento.
O melhor de tudo é que a também ajuda, pois funcionou comigo.

Um comentário:

Belos e Malvados disse...

Um texto muito corajoso, querida. Beijos para vocês.