domingo, 27 de junho de 2010

Olha que lindo: cadê o meu pinto?
Não há como pertencer ao mundo psi e não se dar conta do que este vídeo retrata e nem precisa ser freudiano, basta ter passado alguns anos na universidade e ter estudado um pouquinho da angústia de castração.
Vou aproveitar este momento para esclarecer uma coisa: dizem por aí que Freud era um machista, chauvinista e que a mulher tem inveja do pênis do homem, blá, blá, blá. Realmente é puro blablablá, pois ele apenas observou em sua clínica (através da análise de adultos) que as crianças passam por uma experiência na qual elas pela primeira vez se dão conta que há uma diferença na anatomia entre os sexos e isso lhes causa uma angústia enorme.Quem tem filhos ou convive com crianças já notou esse fato.
Vou dar uma resumida pra de agora em diante toda vez que algum de vcs ouvirem o galo cantar sobre esse assunto, ter ao menos uma clareza que não é disso que se trata.
Freud chama este momento de complexo de castração (não é cronológico e sim lógico, pois a criança pode estar em qualquer idade e em qualquer fase do desenvolvimento).
Primeiro tempo: todo mundo tem um pênis, pois não há diferença entre meninos e meninas e nem em suas anatomias  sexuais. Quando ele ou ela descobre que um ser próximo não possui um pênis (mãe, irmã, etc.) faz fracassar essa teoria e abre caminho para a angústia de um dia ficar, ela própria despossuída.
Segundo tempo: o pênis é ameaçado através de ameaças verbais para proibir a masturbação infantil, principalmente pelo pai. (o menino pode relacionar com a rivalidade entre ele e o pai pelo amor da mãe)
Terceiro tempo: existem seres sem pênis e, portanto, a ameaça é bastante real. Essa é a época das descobertas visuais da região genital feminina, que é a zona pubiana sem pênis. Inicialmente a criança vê a genitália feminina, nada lhe diz, mas a lembrança das ameaças infantis de cortar o seu pênis significa que há um perigo. Para conviver com a angústia de castração, ele fantasia que a menina tem um pênis pequenininho e que ainda vai crescer.
Quarto tempo: a mãe também é castrada: emergência da angústia de castração propriamente dita, diferente da angústia dos medos e dos pesadelos. É medo de perder o pinto!!!
Tempo final: é neste momento de irrupção da angústia que o menino aceita a lei de proibição de opta por salvar seu pênis, renunciando ao amor da mamãe, encerra-se a fase do amor edipiano, o menino afirma sua identidade masculina e, no futuro, vai amar outras mulheres (e deixa a mãe para seu pai).

Com a menina a vibe é outra. Todos os dois aceitam a universalidade do pênis, pois acham que meninos e meninas têm pênis. A menina assim como o menino ama a mãe, mas quando se dá conta de sua castração ao invés de ter angústia de castração, ela tem ódio dessa mulher que não lhe deu um órgão tão especial, pois seu clitóris é muito pequeno para ser um pênis ... "fui castrada!!! Minha mãe não me amamentou o suficiente, etc.". Qdo ela percebe que a mãe 'sofre do mesmo infortúnio' (quáquáquá), a mãe é despresada, rejeitada pela filha, pois não lhe transmitiu os atributos fálicos. Começam as recriminações da menina em relação à mãe que deixa de ser seu objeto de amor e escolhe o pai.
O tempo final da castração para a menina tem três saídas:
(1) ausência de inveja do pênis: ela fica tão assustada que recusa entrar em rivalidade com o menino;
(2) vontade de ser dotada do pênis do homem achando que um dia ela poderá possuir um pênis tão grande quanto os meninos que pode concluir-se como uma escolha de objeto homossexual manifesta;
(3) vontade de ter pênis substitutos, ou seja, reconhecimento imediato e definitivo de sua castração, o que Freud qualifica de "normal", pois a menina vai ter como objeto de amor o pai, o clitóris cede lugar à vagina como zona erógena e o pênis cede lugar a um filho, ou seja, há a vontade de gozar com um pênis no coito e gerar um filho.

Nem precisa dizer que todo esse processo é inconsciente e que ninguém fica pensando na medida que vai ocorrendo, né?

Freud é um gênio! Conseguiu observar na clínica e em sua vida familiar situações que acontecem sempre em nossa vida erótica... O que é mais impressionante é que eu vejo tudo isso tanto na clínica quanto com meu filho e sobrinhas.

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