segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ontem a noite eu vi um filme que muito me fez pensar. O mundo de Jack e Rose fala de sonhos e esperanças que não vão pra frente, fala do amor tão intenso entre pai e filha que beira o incesto. O filme trata da vinda de alguns engenheiros cientistas pra um ilha nos EUA nos anos 60 e criaram uma comunidade hippie que contestava o modo de vida burguesa e pregava o amor livre, o consumo de drogas, um mundo onde eles produziam o que consumiam. Em 1986, ano que o filme se ambienta, só restaram Jack e Rose às lutas com um construtor de casas habitacionais do outro lado da ilha que eles moram.
Um filme belíssimo que me fez pensar o que fazemos com o nosso idealismo, com o que nós acreditamos e sonhamos. Jack foi em frente e lutou até onde ele conseguiu pra viver dentro do que ele acreditava. O filme mostra seu medo o tempo inteiro, medo de ter agido errado, de ter privado a filha de uma outra maneira de ver o mundo, medo de amar a filha como uma mulher, medo de cair na tentação de seus encantos, medo de perceber que a filha é desejada por outros homens. O filme fala de corgaem também. Coragem de viver dentro daquilo que nos faz vivos. Um filme que me lembrou da época que eu acreditava em uma vida assim também. Seria muito feliz vivendo em uma comunidade rural, livre e alternativa.
Quando eu estava na faculdade de engenharia, eu imaginava um mundo assim, perfeito, onde ninguém era de ninguém, não haveria cobranças nem regras, não haveria propriedas, pois não seria preciso, todos saberiam o que fazer em prol da comunidade de do bem de todos. Todos os filhos seriam de todas as mulheres e todos os casais só ficariam juntos até quando existisse amor e respeito entre eles. Acabando a chama da paixão ou mesmo o amor respeitoso entre eles, acabaria o "contrato", pois automaticamente começaria a posse, palavra banida desta minha sociedade alternativa.
Ultimamente tenho pensado muito naquele modo de pensar a vida, quando eu e o meu amor da época (Jefinho) perdíamos tardes e tardes falando do nosso mundo perfeito onde ninguém era dono de nada, num mundo novo, num mundo idealizado pelo Subcomandante Marcos, um mexicano zapatista*. Antes mesmo de acabar a faculdade, ele passou em um concurso público federal e virou burguês. Esse período ficou marcado em minha lembrança como um luto ideológico. Eu nunca esperava isso dele! Foi o maior golpe que eu já tive na vida.
Depois dele conheci outro idealista, mas que faz disso o seu modo de vida. É o meu chefe. Lá onde trabalhamos é assim. Todos temos direito a palavra na tribuna e todos podemos falar o que quisermos, propor mudanças e estabelecer nossas regras. Tudo é discutido por todos e todos trabalhamos em prol da coletividade. Até as férias, escalas de folgas e alguma gratificação é definida por todos nós.
O mais difícil de tudo é viver na prática e perceber que as coisas no plano das idéias é perfeito, mas no dia a dia é duro, pois nem todos conseguem enxergar um líder democrático... Há aqueles que pensam que o faz de besta, mas ele ainda assim é o mesmo idealista de sempre. O barco pode estar indo pra o brejo e ele está ali firme, forte e ouvindo a sua equipe. Meu chefinho, vc é uma das pessoas mais lindas que eu conheço e não perco uma oportunidade sequer de te elogiar e te agradecer por ser uma de suas pupilas em "nossa sociedade alternativa".
Não sem dor e sem brigas, né?

*Quando conheci o mexicano que fiquei, eu idealizei o Subcomandante Marcos e por isso eu fiquei tão encantada por ele. Que otária que eu sou, pois ele trabalha em uma multinacional. Quáquáquá. Ele nem sabia nada do Exército Zapatista. Fiquei com a cara no chão, me sentido uma oreba. (Como sempre, pra não perder o costume.)

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