domingo, 18 de abril de 2010

Estava aqui pensando em porque eu não comecei ainda a fazer os meus relatos de atendimento (motivo pelo qual liguei o computador às 8 horas da manhã) e não páro de fazer todas as outras coisas paralelas... Quando li um artigo antigo da Época que fala dos bebês que nascem com algum problema e precisa ficar fazendo algum tratamento em UTI.
Lembrei automaticamente de meu filho Gabriel e de todo seu sofrimento. Lembrei também de minha dor, de minha culpa na época de não ter "produzido" um bebê saudável, de ter um filho tão desejado e tão prematuro. Lembrei de todas as minhas angústias na época, de minha dor e de vontade de ser mãe. Lembrei do meu egoísmo de querer ter um filho a todo custo e de todas as sequelas que ele teria se estivesse vivo. Lembrei de minha dor, do apoio que recebi de minhas irmãs e de quanto desejei ter o colo de minha mãe na época.
Percebi que não estava sozinha, que o amor dói pra p*, que perder um filho dia a dia é uma morte em vida, que você simplesmente não abe como levantar da cama, que vc não tem o que dizer ao outro, que vc é uma incompetente, pois não consegue fazer o que todas as memíferas fazem.
Aprendi a ser bem tolerante com as críticas dos outros, a me olhar no espelho e me sentir uma incompetente, a me sentir uma castrada, alíás, uma capada, a ter que enfrentar a vida depois de enterrar seu filho, a não fazer planos, pois eles podem te machucar profundamente, a como enfrentar uma noite sem sono, a falar do inominável na análise.
Entender que a despeito de desejar muito, vc não pode tudo, que a vida continua apesar de se perder um filho, que a vida pode ser mais florida e te permitir ter outro filho, que apesar de vc estar 10 quilos acima do peso, seu ventre foi capaz de gerar duas vidas, que enfim, vc vai chorar sempre que ler matérias sobre bebê de risco, pois vc vivenciou um dor que não se deseja a minguém: perder uma parte de vc.
"oh, pedaço de mim, oh pedaço amputado de mim"

Um comentário:

a véia do blog disse...

Lila menina...

Só posso imaginar a dor,masnão posso senti-la, pois não vivenciei nada parecido.

Mas Lila, sabe que mães como vc são escolhidas a dedo por algo maior que nós todos. Não sei o critério das escolhas, filhos especiais,precisam de mães especiais.

Sei que um pedaço de ti se foi, mas não para sempre, apenas para outra esfera. Acredite. Seu filho ainda vive, mas precisa neste momento estar longe de vc.

Desculpe se falei algo que te incomodou, esses assuntos são dificies e a gente so os tem com pessoas intimas. Espero não ter dito algoruim.,

beijos no seu coração de mãe.