domingo, 17 de janeiro de 2010


Essa foto fala mais que mil palavras. Imagina pra uma criança de dois anos ficar dois dias soterrada, eu nem consigo imaginar o que se passa na cabeça dela. Imagina vc ser salvo e encontrar a pessoa mais importante de sua vida. Quando alguém perguntar o que é o amor, eu sempre vou me lembrar dos olhos dessa criança. Nestes olhos eu consigo ver toda a teoria que eu estudo e faz muito sentido continuar nesse caminho. Lembro também, quase que por associação livre, de uma passagem do livro (ótimo), "À espera do sol", que a mãe de um dos personagens disse que ele é esquisitão (sic) porque ela não o queria na gravidez e sempre o tratou como um estorvo. Ela chegou a deixá-lo na neve por horas e ele não chorou. Ele não tinha dois anos ainda. Era menor que o fofinho acima. Ela disse que na época sentiu tanto ódio dele por ele ter se comportado daquela maneira que o tratava com mais e mais indiferença. Mas no livro, essa mãe disse que tinha ódio dele por ele fazer exatamente o que ela esperava dele, que aquela era aúnica maneira de ser amado por ela. Resultado: uma criança, um jovem, um adulto perdido e seu mundo interno e que não foi validado como sujeito pelo seu Outro primordial, sua mãe. E pelo livro, a única cuidadora desta criança.
Um livro muito bom, que faz pensar muito no terreno pantanso que eu estou me metendo até o pescoço. Cada dia que passa eu penso no quanto é importante tomar seus filhos como sujeitos, princialmente quando eu vejo fotos como essa que se vê o amor, a segurança, um sujeito em andamento estampado nos quatro cantos do mundo.
Dinheiro não é nada, amor, segurança e validação subjetiva é tudo. Certamente essa criança crescerá pobre, sem oportunidade de vida, mas muito mais saudável psiquicamente que muitas crianças de primeiro mundo que não recebe um olhar seguro como esse. Não se vê refletida nos olhos do Outro.

Nenhum comentário: