quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Viva quem tem amigos

"Quem não pode com mandinga não carregue patuá"


Conversando com Le no domingo e com Ni e Lara ontem, eu confesso que hoje acordei menos triste. Ontem a tardinha, após a supervisão do estágio, eu e Lara fomos conversar e tentar descobrir onde estava a pedra angular em nosso atendimento, pois trabalhar com psicótico é isso: se colocar na berlinda all the time e ver onde se engancha.
Altos papos após, lá estava eu chorando. Imagina, chorando em pleno final de tarde no Red River, onde pessoas pagam horrores pra rir... Enfim, chorei, desopilei e entendi o que tanto me angustia: após assistir o filme "A garota ideal", eu me questionei a que ponto eu poderia suportar o que vem do outro e certificar a subjetividade tão fragilizada do outro se eu estava tão em frangalhos...

Como poderia ter uma atitude que validasse o outro e poderia garantir a ele que é um sujeito a despeito de suas angústias existenciais e mais além, eu ser inteira no momento de atendimento e ser depositária do bem mais precioso daquele sujeito que é o seu modo ser e estar no mundo?
Vacilei feio. Cheguei a me questionar se era isso mesmo que eu queria, se deixar de ter uma vida sonhada por tantas pessoas e me atirar na vastidão da clínica não seria uma forma de sempre ter o que lamentar (histérica!!!).
Mas, após muito me flagelar, análise, bebidas de qualidade duvidosa e amigas, eu percebi que muito mais do que ter um bom arranjo psíquico, é preciso ter um desejo de ser psicólogo (não me atrevo ainda a dizer desejo de analista). Será que alguém tem estrutura necessária e suficiente pra se colocar no lugar vazio que a clínica nos coloca? Ou será que esse perparo não faz parte da formação do profissional psi (trabalho pessoal + estudo + supervisão)?
Foi ótimo chorar ontem e deixar cair um peso dos ombros. Foi melhor ainda perceber que crises fazem parte da vida.

Nenhum comentário: