quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"... você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enojada, pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terreno, e se sentirá estimulado e entusiasmado quando souber disso."J.D. Salinger


"O apanhador no campo de centeio" foi um marco em minha juventude e, por ser um clássico, irá capturar vários jovens pelo mundo afora, porém nunca fui tocada por esse livro, apesar de já ter lido três vezes em momentos diferentes de minha existência. Minha irmã Lé ama e não cessa de falar, citar, fazer testemunho das suas benesses. Mas, é preciso dar a César o que é dele.
Tem dias que só um clássico consegue expressar, colocar em palavras nosso sentimento e escancarar pra o mundo afora. Salinger tem esse poder. Eu acho que nunca havia sido identificada pelas dores de ser jovem num mundo tão egocêntrico, pois eu quando jovem não tive crises existenciais e não me sentia fora, diferente, desencantada.
Como citei no post anterior, a vida sempre cobra a conta dos excessos, e eu acrescento que ela cobra a conta das faltas também, pois se não me sentia deslocada e destoada antes, agora é como me sinto. Tenho acordado com o enjôo na garganta, querendo vomitar o que está travado em minha goela e eu não tenho conseguido deglutir, quanto mais engolir.
É nessas horas que eu retomo o que ficou reservado em algum lugar de minha alma (meu inconsciente???) e quem chega sem fazer barulho é Salinger me lembrando da conta, de uma frase de Lacan que tem ressoado em meus ouvidos: "agiste segundo seu desejo? pagarás; agiste contra seu desejo? pagarás em dobro". Por enquanto, estou só pagando, mas será que em uma época de tanta revolução, não estarei eu vivendo contra o meu desejo?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A vida sempre cobra a conta dos excessos

Nunca uma frase fez tanto efeito em minha vida como essa. Não que minha vida seja um transbordamento, mas "excesso de falta" não deixa de ser um excesso. Redundante. Mas minha vida tem sido uma redundância só. Quanto mais eu me viro, me mexo eu volto ao mesmo ponto. A vida me cobrando uma posição e eu tentando dar o fora. chega uma hora que a fatura chega e não dá pra escapar. Eu tô com a conta na mão e sinto o ardor subindo pelo braço.Tá foda.
E uma coisa tá me consumindo: o tempo do outro.
Como posso me permitir dar o tempo do outro se eu nem mesmo me permito um tempo? O meu tempo? Sabe aquele lance de conversas sinceras me interessam? Pois é. Tive uma senhora conversa comigo este sábado e vi que tenho excedido por todos os lados, só não estou sabendo aparar as arestas. Pra falar a verdade, nem sei se quero cortar alguma ponta, pois cada centímetro de minhas coisas são eu, fazem parte de mim.
Será que eu corro tanto realmente pra não perder o controle? Será que se eu me permitir vivenciar as minhas dores eu vou enlouquecer como eu suponho? Será que eu realmente vou suportar o que vem pela frente? Na dúvida, resolvi confiar em mim, no resto que sobrou de mim.
Mas confesso que tô morrendo de medo.

domingo, 13 de setembro de 2009

Saindo do casulo

Minhas irmãs acham que eu só ando na gandaia. Mal sabem elas quantas vezes eu digo não para ficar mais em casa. Se eu fosse aceitar todos os convites que me fazem eu só andava na rua... Mas enfim, aceito alguns que realmente, melhor eu tivesse dormindo. E dormir é o que há, né?
Quinta eu queria muitíssimo ir pra um pub aqui perto que é pegação pura, mas a minha amiga de todas as horas estava cansada (ela sempre me pergunta se eu não me canso), mas cansada pra ficar na farra e beijando aqui e acolá? Tem canseira pra isso? Não há nada melhor que beijar na boca e depois (se o beijo for bom), perguntar o nome do carinha... Mas aquela lerdeza só queria ir pra um lugar calmo e advinha? Jequitibar, lógico. Até os garçons já sabem nossos nomes, ajudar a sair quando eu tô em águas e só falta dirigir até aqui em casa e voltar andando... É vero, até mesa extra eles colocam pra nós duas. Só falta a carteirinha de clientes vips.
Lá é bom sempre até quando é uma quinta da pegação. Bebemos todas, dissolvemos nossos superegos, não tanto quanto eu gostaria, pois Déa queria assistir a novela. Essas minhas más companhias... Novela? A essa altura da vida?
Ontem eu saí com outra amiga de farra, mas com M. a farra é mais cultural, pra não dizer intelectual (tenho ojeriza a esse nome). Fomos ao Piolla e a uma feira de artezanatos (Bazar dos Nômandes). Muito cult pra o meu momento de piriguetagem atual. Mas minha amiga merece até a péssima pizza que rola por lá. Enfim, comprei umas roupitchas legais e comi a pior pizza da minha existência.
By the way, hoje é o niver de meu pimpinho!!! Gui tá fazendo três aninhos e a titia Nana dele está fazendo a maior festinha. Tudo muito lindo e eu não vejo a hora de começar a farrinha. Eu não sou muito fã de festas de criança e fui cair de paraquedas eu uma família altamente pró festas infantis.... Deus é pai, né? As festinhas de Gui estão garantidas. E se eu tiver outro filho tb (será que ainda vou parir novamente?).

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Filminho no final da tarde

... Enfim a vida pode ser bela. Pensei que essa tristeza não fosse passar nunca, mas não tem nada que uma boa sacudida na poeira não resolva. Tá. Admito. Sofri pra porra. E tenho sofrido. Sem falar que neste ínterim, eu ainda me vi interessada por uma pessoa que eu acreditava (só nos meus castelos) ser outra. Mas paixão é isso, né? Vc coloca o que vc tem de melhor no outro, embala pra presente e leva pra casa.
Quanta decepção em tão pouco tempo! E quanta coisa nova vem ressurgindo de longe. Eu já posso ouvir soarem os tambores lá longe. Minha alma está entrando em festa novamente. Eu estou começando a reinvestir meus créditos em mim mesma e estou vendo que vem vindo uma fase de muito progresso e aproveitamento.
Já estou com vontade de me enfeitar, tirar as roupas com cara de inverno do guarda-roupa e quero aproveitar a primavera que já vem vindo. Hoje eu fiz uma coisa meio a contragosto e sabe que eu gostei? Saí pra passear no final da tarde com uns amigos e me diverti muito. Vi um filme no Espaço Unibanco na Praça Castro Alves, vi o entardecer, saí pra um café bem legal em Ondina e dei muitas risadas. Nem lembrei que a minha velha companheira existia. Sim porque a Tristeza agora faz parte do passado. Hoje foi o primeiro dia do resto de minha vida renascida. Ontem eu enterrei meus mortos: a saudade de meu filho, o sentimento de rejeição que habitava meu coração, a raiva que estava sentindo, a angústia presa em minha garganta. Tô bem melhor. Acho sinceramente que é porque passou a data do entrerro de Gabi e porque eu tive conversas bem sinceras em momentos-chave. Estou muito leve, aliviada e com a alma entrando na primavera.

domingo, 6 de setembro de 2009

Uma das declarações de amor mais linda que li

É, pelo visto ainda acredito no amor, pois as palavras abaixo foram escritas por um homem apaixonado e que lamenta não ter dado o melhor de si a mulher amada.... Acredito em tantas coisas, afinal.

"Meus olhos haverão de achá-la (Fábio Hernandez)
29/03/2007
Faço hoje uma coisa que deixei de fazer por tantos anos, e me pergunto por quê sem encontrar resposta: escrevo para você. A verdade é que não tenho encontrado resposta para muita coisa nesta caminhada sobre a Terra, e este é mais um caso.
E dói, como dói. Lembro-me de alguns textos que escrevi em laudas, e sinto uma vontade ridícula, patética de voltar para aqueles dias em que ríamos tanto, sonhávamos tanto e nos amávamos tanto.
Gostaria que você me desse uma cópia daqueles textos: eles serão para mim uma conexão eterna com um tempo cuja lembrança haverá sempre de aquecer e iluminar meus dias de frio e escuridão.
Até o fim.
Gostaria de voltar. Estalar os dedos e voltar àqueles dias, não para reviver a alegria vigorosa e irresponsável de então. Mas para fazer todas as coisas que deveria ter feito e que não fiz. Falar tudo que deveria ter dito e silenciei.
E dançar com você. Quantas oportunidades perdidas, e hoje eu daria tudo para dançar com você e já não posso.
Vi velhas fotos de madrugada e pela manhã. Fico aqui pensando que esta é uma das coisas mais duras de dividir. Muito mais que dinheiro. As fotos. Dou graças a um Deus que nem sei se existe por elas existirem. As imagens. Aqueles imagens.
Uma vida ali, tantos anos, e tudo tão rápido, e tão rápido, e tão rápido. Deus, Deus, eu detesto a fragilidade de tudo, a impermanência. Tão rápido tudo se fez e se desfez.
Do baile, daquele baile, não há foto, mas não é necessário. Lembro tão bem. Estava escrito que você tinha sido feita para mim. Para sempre.
Os sábios dizem que não se deve lamentar o passado.
Pois eu desafio a sabedoria e lamento tantas coisas.
Lamento não ter correspondido às suas expectativas.Lamento não ter feito as coisas necessárias para que você visse no casamento algo único, lindo, exatamente como você sonhava, duas pessoas tão unidas numa só que não se pode ver a costura entre elas.Lamento ter destruído seu sonho justo de menina.Lamento não ter deixado claro quanto a amo, quanto a amei, quanto a amarei.Lamento não ter dito e mostrado que você é a figura central da minha vida. Lamento não ter dito e mostrado a você que eu morro sem você.
Não acredito no que você acredita. Que estamos aqui por alguma razão. Que voltaremos depois da morte por alguma razão. Mas como eu gostaria de acreditar, como eu gostaria. E então eu vejo a nós dois outra vez. Nós nos encontraríamos mesmo diante da maior multidão do mundo. Meus olhos. Meus olhos haveriam de achá-la. Você. Eu. Nós dois. Feitos um para o outro. Para realizar o que poderia ter sido e que não foi. Uma outra vida. Nós dois. Sempre, sempre, sempre."

A economia nas palavras (dos engenheiros) que eu não aprendi

Estes dias têm sido um tormento psíquico pra mim, pois não tenho feito outra coisa ao não ser pensar. E sofrer com os meus pensamentos, uma verdadeira miséria neurótica.
Quanto mais eu me aproximo da porta de saída da análise, mais eu entro no liquidificador. Parece que minha vida está girando a 300 rpm. Tá tudo muito rápido: minhas emoções, meus sentimentos, minhas ações, minha língua, meus amores, meus desafetos, minha produção, tudo enfim. E quem perde? Eu, Gui.
A última, fresquíssima: OL colocou uma câmera aqui em casa e não me disse nada. Sônia chega aqui no sábado e me olha com a maior cara feia, mas não diz nada. Depois de algumas horas, ela me pergunta (que bom que ela é igual a mim, nada econômica na palavras): "tu tá desconfiada de mim?" "pq Soninha?" "pra que tu colocou essa câmera aí?". Tum. Eu senti a minha vida passar por mim. Juro. Na hora eu não consegui nem articular meu desespero com algum significante mínimo que fosse. Eu simplesmente senti uma "desrealização". Eu não tive nem reação.
Alguns minutos após, eu caí em mim e me vi ligando pra OL pergntando se ele tinha colocado a maldita em minha sala e que era pra ele tirar. Ele se sentiu ofendido, o palhaço do sinal aqui perto. É isso que ele é, um palhaço de quinta categoria (coitado dos palhaços d sinal serem comparados a ele). Enfim, um total idiota.
Eu estou com tanta raiva de OL que passei fim de semana inteiro desarticulada da realidade. Foi bom por um fator: tive um acerto de contas virtual com outro palhaço que tira a maior ondinha de bom garoto pra cima de mim. Outro otário.
Eu simplesmente não sei pra que existem homens no mundo. As mulheres deveriam vir dotadas de pênis, assim nós não precisaríamos desses palhaços pra nada. Tô de saco cheio de Y. Só Gui escapa dessa corja.
Fim de papo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

...

“Quando morre uma pessoa que é próxima a você, nas primeiras semanas depois da morte essa pessoa fica tão distante de você quanto é possível se estar; é só com o passar dos anos que ela se torna mais próxima, e aí chega um momento em que você está quase vivendo com ela. Foi o que aconteceu comigo."

Li no blog d'O Homem Sincero e retrata todo o meu sentimento desta semana. Domingo faz cinco anos que meu bebê morreu. É como se após anos de entendimento pacífico, meu luto estivesse sendo feito à minha revelia.
No words.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Viva quem tem amigos

"Quem não pode com mandinga não carregue patuá"


Conversando com Le no domingo e com Ni e Lara ontem, eu confesso que hoje acordei menos triste. Ontem a tardinha, após a supervisão do estágio, eu e Lara fomos conversar e tentar descobrir onde estava a pedra angular em nosso atendimento, pois trabalhar com psicótico é isso: se colocar na berlinda all the time e ver onde se engancha.
Altos papos após, lá estava eu chorando. Imagina, chorando em pleno final de tarde no Red River, onde pessoas pagam horrores pra rir... Enfim, chorei, desopilei e entendi o que tanto me angustia: após assistir o filme "A garota ideal", eu me questionei a que ponto eu poderia suportar o que vem do outro e certificar a subjetividade tão fragilizada do outro se eu estava tão em frangalhos...

Como poderia ter uma atitude que validasse o outro e poderia garantir a ele que é um sujeito a despeito de suas angústias existenciais e mais além, eu ser inteira no momento de atendimento e ser depositária do bem mais precioso daquele sujeito que é o seu modo ser e estar no mundo?
Vacilei feio. Cheguei a me questionar se era isso mesmo que eu queria, se deixar de ter uma vida sonhada por tantas pessoas e me atirar na vastidão da clínica não seria uma forma de sempre ter o que lamentar (histérica!!!).
Mas, após muito me flagelar, análise, bebidas de qualidade duvidosa e amigas, eu percebi que muito mais do que ter um bom arranjo psíquico, é preciso ter um desejo de ser psicólogo (não me atrevo ainda a dizer desejo de analista). Será que alguém tem estrutura necessária e suficiente pra se colocar no lugar vazio que a clínica nos coloca? Ou será que esse perparo não faz parte da formação do profissional psi (trabalho pessoal + estudo + supervisão)?
Foi ótimo chorar ontem e deixar cair um peso dos ombros. Foi melhor ainda perceber que crises fazem parte da vida.