sábado, 22 de agosto de 2009

Ressaca moral

Às vezes eu perco a paciência com algumas fases de mania que eu tenho. Semana passada foi bem punk pra mim, pois além de me desencantar com minhas próprias ilusões, eu me decepcionei comigo mesma por não aprender com os meus erros.
Parece embolado, mas eu explico. A histérica é aquela que cria sinais sexuais que raramente são seguidos do ato sexual que estes sinais anunciam. Sujeitos histéricos são excelentes candidatos a morar em castelos aéreos... E os castelos aéreos fazem parte de minha rotina.
Mesmo construindo e demolindo estes malditos castelos, eu ainda acredito nos sinais que anunciam a construção de uma nova fantasia e sofro quando não se concretiza. Pode ser o mais simples dos fatos, como por exemplo, planejar (leia-se imaginar e vivenciar a cena MESMO) assistir um filme tal na TV e não conseguir por qualquer motivo. Eu fico triste do mesmo jeito, o que muda é a altura dos castelos, pois a queda é sempre inevitável.
Então tinha caído de uma altura de um prédio de 10 andares e estava toda alquebrada, triste, machucada, doída mesmo, principalmente depois da conversa com o Carinha.
Tem um ano que meu casamento acabou, meu ex sequer vem ver o filho, não me dá ajuda financeira nenhuma, não sai do meu pé (até GPS quer colocar no meu carro...), tô sem grana, reformando a casa, sem coragem pra estudar e cheia de coisa pra ler, no trabalho os processos estão caindo por cima de mim, sem previsão de chamar ninguém do concurso novo. E pra piorar (ou melhorar, sei lá), estou com um estágio bombástico que fazemos visitas domiciliares a usuários de CAPS que estão em crise ou internados em algum hospital psiquiátrico. Enfim, a histérica é aquela que goza da insatisfação e se coloca no lugar de vítima de alguma situação (criada por ela, obviamente).
O que mais me decepcionou neste imbróglio? O fato de ser excluída pelo Carinha, o fato de ele não ter feito questão de mim, de me colocar no lugar de resto na equação... Isso me mobilizou de uma maneira. Imagina: se apaixonou por aquela piriguete sem noção e me esnoba desse jeito? Justo a mim?
Então, ontem estava ponto de surtar em minha fase maníaca. Chamei uma amiga pra cair no mundo comigo e claro que eu iria pra um lugar cheio de testosterona. Fui a um pub meio com cara de bar de azaração aqui no Red River mesmo (moro no melhor lugar do mundo!!!). Mil e uma boemias, beijos e pegações depois, eu e Déa chegamos em casa e me bateu a maior ressaca moral, pois eu fiz exatamente o que eu não acredito: participei de uma noitada totalmente voltada para um consumo vazio, onde as pessoas se mostram em uma vitrine para ser consumido pelo outro igualmente despersonalizado. Justo eu que sou anticonsumismo... Fiquei bem mal, pois fui vestida semelhante às meninas que estava lá, estica de última e salto altíssimo, todas iguaizinhas. Estava me achando linda, sensual e muito bem notada, lembro de ter pensado “Fulaninho freqüenta este tipo de lugar e as meninas são tão artificiais, tão lindas e tão diferentes de mim, o que ele quer comigo então? Só me comer?” Me senti pior ainda, pois desde sempre eu tinha essa pergunta no meu íntimo... E ontem eu vi escancarado em minha frente que nossos mundos são opostos. Foi bom pra eu saber de que material eu sou feita.

Fulaninho? Carinha? OL? VCs são todos iguais e só servem pra me deixar muito pior. Vou é arranjar outro(s)!!!

Um comentário:

Lélia Maria disse...

não existe ciosa melhor do que choque de realidade. dói na hora, nas horas seguintes, mas os dias que virão serão mais fáceis. tu pode até estar só, mas não vai estar solitária. beijos